Márcio Gaiote vai a justiça pedir extrato bancário de Bruno Borges

Márcio Gaoite pediu na Justiça os extratos bancários do amigo Bruno Borges, de 25 anos, que ficou conhecido como ‘Menino do Acre’. A defesa de Gaiote entrou com o pedido em 27 de fevereiro e alega falta de veracidade na planilha de prestação de contas entregue por Borges com os detalhes das vendas dos livros do acreano.

A solicitação faz parte do processo movido por Gaiote contra Bruno em janeiro deste ano. Gaiote alega não ter recebido 4% dos lucros da venda dos livros conforme estabelecido no contrato de sociedade intitulado “Projeto Enzo” que inclui 14 obras lançadas pelo estudante de psicologia.

Ao G1, Athos Borges, pai do estudante, afirmou que a família vai se manifestar somente em juízo. O estudante já afirmou, logo após ser processado, que iria publicar todas as suas obras de forma gratuita na internet. Ao G1, o pai do jovem disse, em 12 de janeiro, que o filho decidiu não cobrar mais pelos livros para acabar com as especulações envolvendo seu nome.

Já o advogado de Borges, Edmar Monteiro, disse que não devem entregar os extratos bancários. Segundo ele, a planilha feita pela editora dos livros contém informações de custos, tiragens e vendas realizadas.

“A editora foi responsável pela publicação e vendas dos livros. Ele [Gaiote] alega, por meio de reportagens, que a venda teria sido maior do que realmente foi. Contestamos a primeira petição da prestação, ele se manifestou contra a planilha que foi entregue. Agora vamos aguardar a audiência e apresentar esses extratos somente caso seja solicitado pelo juízo, se isso não ocorrer não vamos apresentar”, afirma.

Contrato foi achado pela Polícia Civil durante investigação e os documentos estabeleciam regras para a divulgação e venda dos direitos dos 14 livros (Foto: Aline Nascimento/G1)Contrato foi achado pela Polícia Civil durante investigação e os documentos estabeleciam regras para a divulgação e venda dos direitos dos 14 livros (Foto: Aline Nascimento/G1)

Contrato foi achado pela Polícia Civil durante investigação e os documentos estabeleciam regras para a divulgação e venda dos direitos dos 14 livros (Foto: Aline Nascimento/G1)

No requerimento, ao qual a reportagem do G1 teve acesso, o advogado de Gaiote, Germano Maldonado Martins, afirma que examinou as contas entregues por Borges e que notaram várias “discrepâncias e incongruências”.

O documento diz ainda que a planilha feita pela editora está embasada em “meros recibos” e que não há extratos de conta bancária anexado nos autos. Segundo Martins, a editora afirmou, em matérias veiculadas na mídia, que foram vendidos 20 mil exemplares do livro “TAC: Teoria da Absorção do Conhecimento”, mas entrou em contradição ao alegar, no processo, que o valor foi bem menor que esse.

Além dos extratos bancários, Gaiote também pede uma perícia contábil para atestar a veracidade da documentação e que as contas apresentadas anteriormente sejam refeitas.

“Apresentou a planilha, mas não comprovou os valores que estavam nela. Estamos impugnando esse documento, pois há uma contradição da própria coach literária. Ela não mostrou nenhum comprovante e é necessário um relatório minucioso.

Bruno Borges desapareceu por vontade própria e deixou 14 livros criptografados. Gaiote tem direito a 4% dos lucros, conforme estabelecido em contrato  (Foto: Reprodução/Rede amazônica Acre)Bruno Borges desapareceu por vontade própria e deixou 14 livros criptografados. Gaiote tem direito a 4% dos lucros, conforme estabelecido em contrato  (Foto: Reprodução/Rede amazônica Acre)

Bruno Borges desapareceu por vontade própria e deixou 14 livros criptografados. Gaiote tem direito a 4% dos lucros, conforme estabelecido em contrato (Foto: Reprodução/Rede amazônica Acre)

Quanto à liberação dos livros de forma gratuita na internet, Martins diz que não tem conhecimento dessa decisão, mas que o caso implica quebra de contrato.

“Ele tem sócios e não pode simplesmente, por livre e espontânea vontade, tomar uma decisão dessas. Isso incide penalidades, mas ainda não tomei conhecimento”, garante.

Processo

Márcio Gaiote entrou com um processo contra Bruno Borges em janeiro deste ano. No documento, o advogado de Gaiote, Germano Maldonado, diz que o “pacto” entre os amigos definia o percentual de 4% do faturamento das obras todo dia 10 de cada mês, porém, o estudante acreano nunca teria prestado qualquer conta sobre o caso ou repassado qualquer valor.

O processo descreve ainda que a primeira obra de Borges teve a venda de mais de 20 mil cópias no valor de R$ 24,90, além da versão em e-book. Desde o lançamento, segundo informa o advogado no processo, o menino do Acre não prestou contas mesmo tendo sido procurado extrajudicialmente pelo amigo.

A defesa do estudante afirma que o número de vendas divulgado não condiz com a realidade e que esse número corresponde ao de tiragens que foram feitas para as livrarias.

Relembre a história

Bruno Borges, de 25 anos, sumiu no dia 27 de março do ano passado e ficou quase cinco meses em isolamento em um local que nunca divulgou até reaparecer em casa em 11 de agosto de 2017. O desaparecimento do jovem foi envolto em mistérios e ganhou repercussão nacional.

O quarto de Borges ficou conhecido em todo o mundo pelos escritos, símbolos e também por uma estátua do filósofo Giordano Bruno (1548-1600), por quem tem grande admiração, que custou R$ 10 mil.

Antes de sumir por vontade própria, o jovem deixou também 14 livros escritos à mão e criptografados, com alguns trechos copiados nas paredes, teto e no chão do quarto.

Antes de desaparecer, Bruno deixou em seu quarto uma estátua do filósofo filósofo Giordano Bruno (1548-1600)  (Foto: Reprodução/Rede Globo)Antes de desaparecer, Bruno deixou em seu quarto uma estátua do filósofo filósofo Giordano Bruno (1548-1600)  (Foto: Reprodução/Rede Globo)

Antes de desaparecer, Bruno deixou em seu quarto uma estátua do filósofo filósofo Giordano Bruno (1548-1600) (Foto: Reprodução/Rede Globo)

Durante as investigações, a polícia encontrou móveis do quarto do acreano na casa de Gaiote, que participou do projeto e foi conduzido para a delegacia. Gaiote, que mora na Bahia, chegou a ser indiciado para depor na capital acreana, mas não compareceu, sendo indiciado indiretamente. Ao G1, em setembro de 2017, Borges esclareceu que os amigos não furtaram os móveis.

Após a família lançar o primeiro livro do jovem, em 20 de junho do ano passado, o livro “TAC: Teoria da Absorção do Conhecimento” entrou para a lista “não ficção” dos mais vendidos da semana, entre 24 e 30 do mês de julho de 2017. O ranking foi feito pelo site PublishNews, construído a partir da soma das vendas de todas as livrarias pesquisadas.

Para a reportagem do G1, Borges disse, em setembro do ano passado, que estava tentando se inserir aos poucos na sociedade. Ele relatou que era difícil ter contato com muita gente devido ao período que ficou isolado. Ele disse ainda, que futuramente pretende abrir um portal de estudos para manter contato com os admiradores de sua obra.

Além dos livros, Bruno Borges também deixou as chaves para guiarem a decodificação (Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre)Além dos livros, Bruno Borges também deixou as chaves para guiarem a decodificação (Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre)

Além dos livros, Bruno Borges também deixou as chaves para guiarem a decodificação (Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre)

fonte: G1/Acre

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