FRACASSO DA SEGURANÇA PÚBLICA NO ACRE: ERROS DE UM MODELO DE DESENVOLVIMENTO

Qualquer pessoa, por mais humilde que seja, sabe que seu pensamento gera ação. Muitos repetem que somos o que pensamos.

Em seu livro “As Ideias Têm Consequências”, Richard M. Weaver afirma que “o mundo é inteligível e que o homem é livre. As catástrofes de nossa época não são produto da necessidade, mas de decisões pouco sábias”.  Afinal, as ideias têm consequências.

Para Alexis de Tocqueville, em seu livro “Democracia na América”, a Revolução Francesa foi resultado do Iluminismo (As ideias dos filósofos geraram consequências). De igual forma, o sucesso americano se deve aos princípios cristãos dos colonos. O materialismo – diz Tocqueville – é uma doença perigosa da mente.

Os americanos, inspirados no cristianismo, criaram a mais poderosa nação do mundo.

A Revolução Francesa, inspirada nas ideias anticristãs, gerou o terror. 

A II Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, realizada em Medellin, no ano de 1968,  em que a Esquerda Católica faz sua “opção preferencial pelos pobres” e influenciou, poderosamente a Esquerda Católica do Acre, gerando importantes consequências do ponto de vista político-econômico para o Acre atual.

Três períodos são constatados nas etapas do caminho da Igreja Católica Acreana. O último deles – Registrou Pedro Vicente Costa Sobrinho, em “Comunicação Alternativa e Movimentos Sociais na Amazônia Ocidental – é o período chamado “Pastoral da Libertação”. Entenda-se aqui como o período em que a Teologia da Libertação, em sintonia com a Conferência de Medellin, passou a prevalecer.

Nesse último período do Caminho da Igreja Católica do Acre, além da opção preferencial pelos pobres, fez-se também uma opção pelo socialismo. Esse modelo (socialista), foi  impulsionado por 02 (dois) veículos de comunicação: “Nós Irmãos” e o “Varadouro”. A mensagem neles veiculadas, especialmente do primeiro, são lidas do púlpito, nas rádios, Comunidades Eclesiais de Base – CEBs, Escolas, Universidade, sindicatos, Associações e os lares. Foi-se forjando a utopia da igualdade. Criou-se a mentalidade socialista no Acreano, contrário ao magistério da Igreja de Roma.

O Partido dos Trabalhadores – PT chegou ao poder e se mantém nele há 20 (vinte) anos. Viramos o Estado do contracheque. O modelo agropastorial  iniciado lá no início dos anos 70 é interrompido.

A psicose ambientalista passou a ser a tônica dos discursos dos novos dirigentes. Chegamos ao estágio de desenvolvimento (?) atual. A principal rodovia estruturante do Estado (BR 364), hoje está praticamente destruída. Somos o Estado que mais encarcera (promocionalmente) no Brasil.

Enquanto isso, Rondônia segue modelo diametralmente oposto. É o terceiro maior Estado da Região Norte. É também um grande ranking de transportes multimodais. Porto Velho,  a capital, às margens do Rio Madeira, é um importante modal aquaviário para escoamento da produção. Navegável, dia e noite, durante o ano todo. Os comboios que trafegam pelo Rio Madeira levam cargas de até 50 mil  toneladas por viagem. Pela estrada do Rio Madeira chega-se ao Atlântico e aos portos do mundo inteiro.

Rondônia é hoje um dos maiores parques de energia limpa e sustentável do Brasil. A energia gerada hoje pelas duas usinas de Rondônia são capazes de abastecer 25 milhões de lares. Equivaleria a população de São Paulo e do Rio de Janeiro. Daria para abastecer toda a economia peruana, a mais crescente da América Latina.

Rondônia tem hoje 98 (noventa e oito) por cento do seu território coberto por sinal de telefonia celular. Coloca o Estado em primeiro lugar na Região Norte, quando o assunto é conectividade. O que é um item vital para quem precisa empreender.

O Estado tem uma situação fundiária singular. Das 122 mil propriedades rurais, 80% (oitenta) por cento delas é de agricultura familiar. Um dado que favorece a diversificação produtiva. Lidera a produção de carne e leite da Região Norte. Só a produção de leite diário que vem dessas pequenas propriedades familiares, daria para alimentar 05 (cinco) milhões de crianças todos os dias, sendo um modelo sustentável.

Hoje o rebanho bovino e bubalino já passa de 12 (doze) milhões de cabeças, sendo a carne seu primeiro item de exportação. Rondônia é o maior produtor de café e feijão da Região Norte. Segundo lugar em soja, milho e cacau. Já lidera a produção de peixe de água doce do país.

PIB é a medida do valor dos bens e serviços  que o país produz num período, na agricultura, indústria e serviços. Pois bem, o PIB de Rondônia, no ano de 2014, foi três vezes maior do que o PIB do Estado do Acre.  A economia de Rondônia é três vezes maior do que a economia do Acre.

Não seria o caso de voltarmos a sonhar o que sonhou o saudoso governador Francisco Wanderley Dantas?  “Dantinha”, como era chamado, sonhou com uma economia agropastorial para o Acre, conectada com a economia nacional, exportando nossos produtos pelos portos do Pacífico.

No próximo dia 27 de outubro a cidade de Rio Branco vai sediar o encontro nacional sobre segurança pública nas regiões de fronteira com os países da América do Sul. O Acre faz fronteira com os maiores produtores de cocaína do mundo: Perú e Bolívia. São aguardados para o evento os governadores da Amazônia Legal, Ministro da Defesa,  Ministro da Justiça, Ministro da Fazenda e o Secretário Nacional de Segurança. Cogita-se da presença do Presidente da República e Chefes de Estado.

Não seria a hipótese de se discutir nesse importante conclave internacional o modelo de desenvolvimento do Acre, como causador da crise de Segurança Pública porque passa o Estado? Fica a nossa indagação! Esperamos respostas dos importantes insignes debatedores!

Por: Valdir Perazzo*

*Valdir Perazzo é Advogado e um dos idealizadores do Instituto Liberal do Acre – ILAC

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